domingo, 12 de outubro de 2008

O Barco e a Ilha.

Era uma vez um barco. Era um barco de mil e uma cores, de qual muitos não gostavam à primeira vista, mas que outros, após muitos olhares, se conseguiam habituar à diversidade de padrões, compreendendo e até gostando de algumas das suas peculiaridades.
Essa navegação, temida por muitos e adorada por tão poucos, nunca tinha velejado em águas profundas, apenas se tinha limitado a algumas viagens junto à costa, nunca se conseguindo afastar muito do seu ponto de partida. Como tal, era grande a sua ânsia de aventuras, de novas conquistas, de novas experiências, e aguardava ansiosamente o dia em que pudesse deixar a terra seca e navegar no grande oceano azul até encontrar o seu lugar, o seu porto seguro.
Certo dia, o barco decidiu que era tempo de se fazer à vida, e lançou-se, destemidamente, a novas terras, como nunca antes o tinha feito. Longos foram os dias em que não se avistava vival’ma, em que o barco esteve para desistir da sua viagem e regressar para o local de partida, mas, mesmo assim, manteve-se fiel a si e aos seus sonhos e continuou à procura da terra prometida.
Durante esta sua jornada, o barco deparou-se com uma ilha que à primeira não parecia ser aquilo pelo qual tanto ansiava. De qualquer das formas, conseguiu atracar temporariamente no seu porto, recolher mantimentos, tratar os tripulantes feridos, ser feliz por um efémero momento.
Entretanto, quando menos esperava, perdeu-se de amores pela terra onde estava, e pediu permissão para permanecer lá, não a curto prazo, mas para tentar estabelecer algo mais para além da química, se é que a um barco é dada autorização para amar uma ilha.
Nesse mesmo momento, a ilha afastou-se do barco, colocou-se num pedestal do qual não queria sair, e ordenou ao barco que chamasse a sua tripulação para nele embarcar e se afastar um pouco dela, porque o que sentia pelo barco não era mais do que uma coisa casual, que já devia ter sentido por tantos outros.
Mesmo tendo plena consciência que conseguir cumprir aquilo que tanto desejava era meramente utópico, o barco esteve parado, vezes sem conta, junto à costa da ilha que o tinha enfeitiçado. Fizesse chuva, fizesse vento, estivesse tempestade, fosse atacado ou não pelas gentes dessa ilha, ele ficava lá, imóvel, à espera que lhe fosse dada permissão para atracar e difundir-se com o povo existente nessa ilha, agora recôndita, inatingível e incompreensível.
Nunca ninguém compreendeu como é que o barco, após tantas batalhas lutadas em vão, aproximações seguidas de afastamentos, tantos devaneios, tanto sofrimento, após ter sido atacado e usado vezes sem conta conseguia manter-se no mesmo local, como se nada fosse, à espera que um dia o seu sonho se realizasse. No seu íntimo, mantinha-se fiel aos seus desejos, e aos seus sentimentos, mantinha-se fiel a si por muito que isso implicasse o desgaste do seu barco, e as velas ficassem gastas, e rompidas, e o seu barco estivesse cada vez mais exausto de lutar.
Com o tempo, esse sonho irrealizável acabou por se tornar numa ilusão idiota, e, quando o mastro principal se partiu em dois, o barco deixou de lutar. Não valia a pena, simplesmente. Era tempo de voltar a casa, e o barco sabia-o muito bem (já o sabia há muito tempo, mas negar a realidade era um dos seus fortes, talvez por ingenuidade, talvez por simples estupidez mórbida).
Era tempo de reparar os danos sofridos depois de tanto tempo à espera para no fim fracassar, e partir para outras conquistas. Novas conquistas, novas gentes, novas amizades, novas paixões. Há muito tempo que ele não se deixava invadir pela novidade e já era tempo de continuar com a sua jornada.
No seu íntimo, o barco dizia que a ilha um dia iria morrer com a sua solidão e voltar atrás na sua decisão, tentar recuperar o laço criado com o barco das mil cores. Mas, na verdade, o barco nunca acreditou que isso fosse acontecer, pensava que aquele era um capítulo acabado na sua vida. E seguiu com a sua vida, era isso que devia ser feito. No entanto, os outros barcos que souberam da história diziam-lhe que a ilha, quando visse perdida a sua posse, ia tentar enfeitiça-lo outra vez, para poder tê-lo perto, mas mantê-lo longe, como sempre o tinha feito.
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Alguns meses se passaram desde que o barco passara pela última vez na ilha amaldiçoada. Agora, o barco tinha plena noção que o feitiço que tanto tempo o tinha prendido não exercia o mesmo efeito, e que agora se sente muito mais forte do que na altura. No entanto, durante o seu novo trajecto, era impossível não passar, nem que ao de longe, pela terra que ele tanto tinha idolatrado. Quando o fez, e ao contrário do que esperava, a ilha chamou-o outra vez, mesmo ciente do que já lhe tinha causado.
A tentação nasce connosco, impele-nos sempre a fazer aquilo que nos traz felicidade a curto prazo (supostamente), mas o verdadeiro carácter de uma pessoa está em saber resistir à tentação, ser racional e continuar com a vida, à procura da verdadeira felicidade, e deixar-nos de utopias.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Uma página?

Estou em frente a uma página em branco. É isso mesmo. Uma página em branco. É difícil de assimilar que esteja em branco, mas mais tarde ou mais cedo ela teria de estar, não se pode fugir à realidade para sempre. A verdade é que já podia estar em branco há mais tempo, mas a tendência que uma pessoa tem para se agarrar aos sonhos, ao que se pensa ser melhor para nós, embora claramente não o seja, por vezes impede-nos de marcar o fim de um capítulo e recuperar baterias para o capítulo seguinte.
Olho para o capítulo que se encerrou. Na verdade, enfrentar os factos nunca foi uma tarefa fácil, muito menos enfrentar as nossas fraquezas e os nossos defeitos, olhar para trás e saber que erramos em certas decisões, e ter a coragem e a humildade (e a estupidez) necessárias para admitir com toda a certeza que se o tempo voltasse atrás…bem…teríamos cometido exactamente os mesmos erros, teríamos batido com a cabeça na parede tantas ou mais vezes do que as que batemos. Isto porque, sejamos sinceros, agimos sempre no calor do momento…em todas as nossas decisões (ok, não em todas…mas na grande maioria). Para o bem e para o mal, é sempre assim.
Hoje apetece-me olhar para trás e enfrentar os factos, enfrentar os meus erros, chamar-me burra, mesmo sabendo que teria voltado a cometer os mesmos erros 1000 vezes se tivesse 1000 hipóteses para refazer o passado. O ser humano é um ser…curiosamente estúpido. Basicamente, fazemos as coisas, mesmo sabendo que estamos a fazer asneira, e continuamos como se nada fosse. Se não tivéssemos feito estaríamos agora a matar-nos por dentro com todas as nossas forças. Afinal, o que dói mais? Fazer algo e desejar não o ter feito, ou não fazer nada, e desejar tê-lo feito? Na minha cabeça ecoa a segunda opção, mas isso porque eu sou muito mais uma pessoa ir atrás das coisas do que ficar sentada à espera que elas venham ter comigo, o que nem sempre é bom. Mas cada um é livre de tomar as suas próprias decisões, e de escrevinhar a sua página como muito bem entender.
Por falar em página, e pensando melhor sobre o assunto, a minha página não está em branco, é mentira. Tem umas coisas escritas, nalgumas partes. Algumas frases são maiores, são complexas, enchem uma linha inteira. Outras são mais pequeninas, mas no fundo são fundamentais. Outras são frases sem sentido nenhum, palavras soltas que por aí andam. Algumas destas frases são meros rascunhos, estão escritas a lápis, muito levezinho, como quem quer passar os seus pensamentos para o papel e não sabe se o há-de fazer. Outros rabiscos estão a lápis mais carregado, e outros estão mesmo a caneta. Tenho também uns desenhos espalhados. Alguns são só para manter as aparências, mas outros são só meus e não estão à vista desarmada. Aqui e acolá, também podemos encontrar uns rasgões, alguns remendados com fita-cola, tal qual uma cicatriz, e outros deixados abertos, como quem ainda está a sarar uma ferida.
Estou a olhar para o meu último rasgão. Destaca-se dos outros. É muito mais profundo, mais intenso, mais dramático. Marcou-me de uma forma que eu nunca pensei, foi uma experiência e tanto. No fundo, cresci imenso. Tornei-me um tanto ou quanto mais madura, e aprendi a lidar melhor com determinados aspectos, mas sei que nada é perfeito, e que a maturidade que eu ganhei, no fundo, não serve de muito. Estamos sempre a cair nos mesmos erros. Também sei que a probabilidade de voltar a ter um rasgão deste género não é nula, mas é algo a evitar. Bem…a verdade é que sei que este rasgão vai estar na minha página para sempre, e durante toda a minha jornada vou poder olhar para trás e relembrar os momentos vividos, bons ou maus, ou ambos, e que me causaram isto. Se valeu a pena? Não interessa. Agora é indiferente…já passou. Está na altura de pôr mãos à obra, este rasgão não pode ficar aberto para sempre, nem eu posso sofrer para sempre.
Preciso da fita-cola. Não posso pegar numa página nova para substituir esta. Isso seria fugir à realidade, seria estar a esquecer os acontecimentos, fingir que nada se passou. E quando se fala do passado, por muito que nos custe admitir, está feito, e nada o poderá alterar, apenas temos de o aceitar, e de seguir com o curso das nossas vidas. Por isso, vou colando com fita-cola, a pouco e pouco, os pedaços rasgados da minha página. Olho para cada pedaço como uma boa lição. No fundo, tudo o que é mau e nos faz sofrer traz sempre algo de bom, e é a partir daí que devemos construir o nosso futuro.
Olhei, experimentei, caí, vou-me levantando. Recomponho-me, enquanto espero a próxima batalha, e rogo baixinho para que não seja tão agreste como a que passou.


“It’s the worst part, you know? Letting go…”

sexta-feira, 23 de maio de 2008

'Dicionário.

Aconchego: sentes quando sabes que, independentemente do que aconteça, vais ter lá aquelas pessoas para te apoiar, para te ajudar a superar as dificuldades, para te proteger e ajudar a seguir o melhor caminho; basicamente, é bom, é quente, é suave, é calmo, é sobretudo tranquilizante; e não é preciso estar abraçada a uma pessoa para sentires que ela te aconchega, às vezes a ligação é tão forte que sabes que essa pessoa está presente mesmo não estando lá.

Alívio: quando não estás à beira dessa pessoa e o mundo parece muito melhor, mais simples, mais perfeito; sai-te um peso das costas como se tivesses acabado de fazer um teste de anatomia; é algo que tu sentes depois de passar por uma situação dolorosa que te custou a vivenciar.

Amigo: aquele que te abre os olhos aos perigos que te rodeiam; “the real friends are the one’s who tell you the truth, no matter what. To interfere is to take care”; mesmo sabendo que podes não concordar com eles, eles arriscam e tentam mostrar-te o seu ponto de vista.

Compreensão: é algo sentido por muito poucas pessoas, fingir compreensão é muito mais fácil do que senti-la verdadeiramente; acontece quando alguém te apoia, percebe e aceita verdadeiramente as razões para as tuas atitudes; nenhuma amizade funciona sem uma boa dose de compreensão; o verdadeiro amigo não precisa de te estar sempre a dizer que te compreende, ele simplesmente compreende (até porque as melhores coisas não são ditas, mas sim sentidas).

Crise: quando alguma situação anormal interrompe a normalidade do decurso da tua vida; basicamente, quando alguém que não devia faz merda.

Desabafo: algo que tu fazes com alguém que te sentes à vontade e que te compreende (e já agora alguém com bastante paciência); dá-se quando estás num dilema interior, e tens problemas que necessitam de resolução e precisas de alguém com quem comunicar urgentemente; depois de despejares a fúria e falares sobre o assunto que te atormenta sentes-te muito melhor.

Desilusão: quando alguém em quem tu confiavas provou que não é de confiança; quando tu pensas que algo deixa de fazer sentido porque uma pessoa te mostrou que as expectativas que tinhas acerca dela estavam erradas.

Egocentrismo: acontece quando alguém se acha o centro do mundo, e pensa que tudo e todos passam a vida a pensar nele, acabando por gerar problemas até quando não os há, porque é viciado em drama (drama queen); uma pessoa egocêntrica torna-se por vezes completamente obsessiva e cria um mundo só seu, tentando levar os outros a viver nesse seu mundo, e a viver em função das escolhas que ele pensa estarem certas.

Entrega: é mostrar aos outros a nossa verdadeira essência, aquilo que nós somos por debaixo de todas as aparências, de todas as máscaras; por vezes, aquilo que se vê à primeira vista não é aquilo que se é, e as pessoas podem parecer algo, quando na realidade não o são; é uma grande prova de confiança, porque só as pessoas que merecem verdadeiramente têm acesso àquilo que nós somos; só através da entrega uma amizade pode evoluir, porque os vínculos que crias com alguém que não se entrega, na realidade não existem sequer.

Grupo de amigos: grupo de pessoas com as quais tens uma grande confiança e uma grande afinidade, com os quais podes partilhar a tua vida e superar as dificuldades; grupo de otários que não se importam de passar um dia inteiro a discutir o mesmo tema com o intuito de arranjar a melhor solução para um problema comum ou específico de uma das pessoas desse grupo; “the one’s who stick together, no matter what”.

Hipocrisia: quando alguém sabe fingir as coisas que não são verdade, e agir tal e qual como se fossem; quando alguém sabe que está a agir mal, mas mesmo assim continua; quando alguém finge ser alguém que não é; quando estás à beira duma pessoa, e sabes que ela não quer estar ao pé de ti, mas mesmo assim não arredas pé; quando tu defendes valores que, lá no fundo, não tens.

Indiferença: existe quando tu sentes um desprendimento por alguém; dá-se quando o vínculo que existia entre ti e outra coisa ou outra pessoa, por muito forte que possa ter sido, deixa de existir; caracteriza-se por uma certa apatia relativamente ao que estás a viver, porque não sentes qualquer necessidade de continuar a fazer o que estás a fazer; se te forçares a fazer alguma coisa que te é indiferente sentes dor, sentes-te mal contigo próprio, porque sabes que aquilo que estás a fazer não está correcto, não é o melhor a ser feito.

Liberdade: é tipicamente chamada de livre arbítrio, e é uma das coisas que nos dá maior prazer, especialmente quando não tens alguém atrás de ti a roubar-ta; uma pessoa livre sente-se muito mais feliz, porque sente que possui controlo sobre a sua própria vida, tem a possibilidade de fazer escolhas, de ser autónomo e, por muito que possa errar, as lições que desses erros tira valem sempre a pena, e não devem tornar as pessoas mais inibidas, mas antes mais independentes e seguras de si; é viver sem restrições, sem tabus, é aceitar os outros como eles são, e, acima de tudo, aceitarmo-nos como verdadeiramente somos, e aceitar a nossa verdadeira essência; é algo que nunca deve ser roubado caso se queiram manter os vínculos.

Medo: acontece quando tu não sabes o que uma pessoa pode fazer contra ti, e, principalmente, contra os que tu mais gostas; certas pessoas têm uma grande capacidade para distorcer as coisas e para moldá-las da maneira que mais lhes convém, tornam as mentiras tão verídicas que as verdades parecem surreais, e fazem-nos aceitar uma coisa que temos plena consciência ser mentira, e como não sabemos do que elas são capazes, temos receio da tempestade que poderá vir.

Mentira: quando alguém te tenta ludibriar, porque pensa que tu não sabes a verdade sobre as coisas; quando alguém te tenta enganar, e te tenta fazer acreditar em algo que não é verdade; quando tu apresentas factos verídicos a uma pessoa, e mesmo assim ela te faz acreditar na sua versão da história; quando alguém mente a si próprio e acredita em algo que não é verdade, e depois tenta persuadir ou outros disso mesmo; quando alguém te diz uma coisa tantas vezes que tu aceitas, só mesmo para não ter de a ouvir.

Música: uma melodia que te apraz os ouvidos; algo que te permite evadir da realidade; por vezes tem letras com as quais te identificas, e identificas situações que estás a viver ou já viveste, isso faz-te gostar ainda mais da melodia; é algo que pode ter diversos efeitos em nós: pode actuar como relaxante, adrenalizante, pode até induzir-te a reflectires sobre a vida que tens e o que gostarias de mudar nela…

Palavras com significado: coisa que tu dizes e sentes verdadeiramente, sem máscaras, sem falsidades, é algo que tu dizes deliberadamente a alguém, mesmo no momento mais banal de sempre, mas que é mesmo importante, mesmo sincero, mesmo único. É algo que marca a diferença…

Possessão: é a amizade levada ao exagero; acontece quando uma pessoa se torna demasiado obsessiva e começa a pensar que a outra pessoa só pode confiar nela, e só pode ser sua amiga, e tem de estar sempre com ela; uma pessoa possessiva pensa que tem domínio e que pode tomar decisões pela outra pessoa (tal e qual um Sim), pensa que o que ela acha ser melhor para a outra pessoa é, de facto, o melhor para ela, e que, portanto, ela tem de fazer o que ela quer, custe o que custar, caso contrário revolta-se (ver vingança e medo).

Proximidade: é estar perto mesmo estando longe; não é por duas pessoas não estarem constantemente juntas que a proximidade deixa de existir, a distancia torna a proximidade ainda mais forte e verdadeira; não é algo que se possa ter com qualquer pessoa, porque caracteriza o grau de confiança que temos com ela; pode ser tanto física como psicológica, e é algo que sabe bem, porque nos faz sentir muito mais confiantes, e protegidos.

Segredo: algo que tu guardas só para ti, ou partilhas com um pequeno número de pessoas que sabes que podes contar e que vão proteger o que lhes contaste; pode ser algo bom ou mau, e não pode ser divulgado a todas as pessoas; há pessoas que os sabem manter e outras que não, às vezes entregam-te segredos sobre outras pessoas de mão beijada, mesmo que tu tentes rejeitar saber acerca da outra pessoa, e tu começas a pensar se ela fará o mesmo acerca das coisas que lhe contas; é difícil de manter, mas é o que dá verdadeiro significado a uma amizade :)

Sufocação: quando estás à beira de uma pessoa e sentes que te estás a mentir a ti próprio; quando uma pessoa te dá um abraço e tu não sentes esse abraço, esse abraço para ti não tem qualquer significado; quando alguém quer ser a pessoa mais importante na tua vida, e depois vê que não pode nem consegue e continua a insistir e tu te sentes preso.

Verdade: uma coisa que tem uma alta probabilidade de ser distorcida, porque corresponde exactamente a uma avaliação crítica e sincera dos factos; “if they can make headlines with lies, we can make even bigger headlines with the truth”; é uma coisa que dói, na maior parte das vezes, e por isso mesmo é muitas vezes enterrada, raras são as pessoas com coragem para dizer as coisas como elas verdadeiramente são.

Vingança: é uma espécie de represália, que acontece quando tu dizes as verdades, e a outra pessoa pode fingir que aceita, mas lá no fundo pode não aceitar e querer de algum modo fazer-te sofrer, do mesmo modo que tu a fizeste sofrer a ela; é doentio, porque por muito que ela não tenha razão, pensa que está certa, e que a melhor maneira de resolver os problemas é engendrar uma maneira de te lixar.

You know what? The truth won’t fit inside your brain…cause you don’t let the truth be set free and please the one’s who surround you…

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Time goes by...

Olha para trás.

Olha para o passado, o TEU passado.

Olha para o caminho que já percorreste. Alguma vez fizeste o balanço do caminho percorrido? Sentes-te satisfeito com o que já fizeste, ou achas que devias ter vivido a vida mais intensamente? Viveste a vida ou puseste-a em “hold” enquanto te matavas a estudar?

Olha para as escolhas que fizeste. Quais dessas escolhas foram más? Que marcas essas escolhas deixaram em ti? Já alguma vez traíste alguém? Já alguma vez foste traído? Conseguiste lidar com as desilusões por que já passaste, ou elas também deixaram cicatriz?

Olha para as pessoas que marcaram a tua jornada. Olha para as pessoas que deixaram saudade, para as pessoas que deixaram angústia, para as pessoas que deixaram ódio, para as que deixaram indiferença. Olha para as que não fizeram diferença nenhuma. Já pensaste que podiam ter feito se tu o quisesses? E as que fizeram, já pensaste de que modo a tua relação com elas afecta as outras relações que tens agora?

Olha para os amigos que ainda prevalecem…Eles valem mesmo a pena, ou são amigos de fachada? Sentes que podes confiar neles e que eles confiam em ti? Até que ponto eles te conhecem?

Olha para os amigos que tens agora? Dás mais ou menos valor à amizade? Acreditas nos que te rodeiam, confias neles? Alguma vez ouviste um amigo teu contar-te uma coisa que tu sabes ser mentira mas tu não podes desmentir porque assim o prometeste a outrém? Sentes-te bem com eles, sentes-te tu próprio ou tens de te mentir para te ajustares?

Olha para os erros que cometeste…Voltavas a cometê-los, ou não arriscavas a viver o erro uma segunda vez? Achas que cada caso é um caso, ou que um erro vai marcar para sempre?

Olha para os sonhos que tinhas…conseguiste concretizá-los ou não tentaste vivê-los? Viveste na mentira, enganando os teus próprios desejos? Ou lutaste afincadamente por aquilo em que acreditavas? Seguiste os teus princípios ou deixaste-te influenciar nas tuas decisões?

Olha para a vida que tens agora…De que maneira o teu passado afecta o teu presente? Vives no medo, na penumbra, ou arriscas tudo, por muito que saibas que a probabilidade de sucesso é mínima? Preferes viver com um “e se” ou com um “fodi-me, mas valeu a pena”? És um Ricardo Reis ou um Alberto Caeiro?

Olha para os tabus que guiavam as tuas decisões no passado…Quais desses tabus quebraste? Arrependes-te ou achas que foste longe de mais? Quais os tabus que não quebraste? Foi por falta de oportunidade ou porque tens medo de inovar? És mais open-minded do que eras antes?

Olha de forma geral para tudo o que viveste…Até que ponto deste importância aos momentos vividos? Soubeste apreciar os pequenos bons momentos que podem marcar de forma significativa a nossa vida, ou és mais uma pessoa terra-a-terra?

Olha para ti…Mudaste? Alguma vez pensaste que a tua vida iria ser como ela está a decorrer? O que mudavas no teu presente?

Olha para o caminho que ainda tens de percorrer…

Olha para o que ainda virá…Alguma vez pensaste sobre isso?

Já traçaste objectivos para o teu futuro?

Já decidiste se queres ter um filho, dois, três? Ou se não queres ter nenhum?

Já pensaste se queres casar, ou preferes liberdade e independência definitivamente?

Já pensaste se queres viver num apartamento no meio da cidade, ou se queres ter uma casa?

Já pensaste se punhas a carreira à frente da família?

Já pensaste no rumo que queres dar à tua carreira?

Já pensaste sobre a efemeridade da vida? Já pensaste que a tua vida tem um prazo de validade…que ela pode acabar a qualquer momento, e tu podes deixar coisas por fazer, por dizer? Que podes deixar sonhos por realizar, tabus por quebrar? Que podes deixar pequenos bons momentos passarem-te completamente ao lado? Que podes estar a viver a vida, mas acabando por não a viver porque não a aprecias devidamente, porque não lhe dás o seu devido valor?


Vive a vida!!

“And that’s how we find our way to something better…or something better finds its way to us”…=)

sábado, 12 de abril de 2008

Washing Machine @

Há aquelas pessoas que não te conhecem e não gostam de ti..

Há aquelas pessoas que não te conhecem e gostam de ti..

Há aquelas pessoas que te conhecem e não gostam de ti..

Há aquelas pessoas que te conhecem e gostam mesmo de ti..

Há aquelas pessoas que estavas à espera que confiassem em ti e o fazem..

Há aquelas pessoas que estavas à espera que confiassem em ti mas não o fazem..

Há aquelas pessoas que não estavas à espera que confiassem em ti mas fizeram-no..

Há aquelas pessoas que estavas à espera que te conhecessem melhor mas n conhecem..

Há aquelas pessoas que estavas à espera que te conhecessem pior mas afinal não..

Há aquelas pessoas que estavas à espera de conhecer melhor, mas afinal não as conheces assim tão bem..talvez nada até..

Há aquelas pessoas que confiam em ti e te pedem para guardar o segredo..

Há outras pessoas que também confiam em ti..e tbm te pedem para guardares o segredo delas..

Há aquelas pessoas que só confiam parcialmente em ti e não fazem puta ideia que tu sabes a verdade toda..

Há aquelas pessoas que estão no meio da confusão, precisam de desabafar e não sabem qual a melhor atitude a tomar, porque tudo se resume a coisas entrelaçadas umas nas outras..

Há aquelas pessoas em quem tu não sabes se podes confiar..

Há aquelas pessoas que não confiam em ti mas querem que tu confies nelas..

Há aquelas pessoas que tomam atitudes erradas que nunca pensaste que elas viessem a tomar..

Há aquelas pessoas que erram e aprendem, outras que não..

Há aquelas pessoas que sofrem, pessoas que fazem sofrer, pessoas que vêem impotentes aqueles com que se preocupam sofrer..

Há aquelas pessoas que não merecem ser ajudadas..

Há aquelas pessoas que merecem ser ajudadas e tu consegues..

Há aquelas pessoas com que tu te preocupas e, por muito que tentes, não podes fazer muito para ajudar..

aquelas pessoas..há outras pessoas..há simplesmente pessoas..

Junta isto tudo numa máquina de lavar e põe a girar..

:S